A Jornada sem GPS

Eu sei que muitos já fizeram associações entre o GPS e a condução de Deus. Mas, depois de uma viagem bem complicada, isso me veio à mente. 

Porque a vida, às vezes, parece mesmo uma viagem longa, por estradas desconhecidas, cheia de desvios inesperados e caminhos difíceis. E é justamente por isso que esse tema continua sendo tão apropriado, se você não sabe o caminho, precisa confiar em Quem guia.

Cada vez mais se torna impensável viajar sem GPS. Mas até pouco atrás não dispúnhamos da Internet. Crer em Deus pode também ser como sair para uma viagem sem GPS. Você não vê o trajeto completo. Não sabe quanto tempo falta, nem entende por que tantas curvas tão apertadas, tantos trechos esburacados, tanta neblina no meio da estrada.

Às vezes, parece que o destino está cada vez mais longe. Ou pior: parece que você está perdido. Mas é aí que a fé entra. Ela pode não te dar o mapa. Ela te dá a coragem de continuar.

A fé não elimina os desvios, mas transforma até o erro de rota em milagre. Ela não impede os pneus de furarem, nem as placas de sumirem, mas te faz lembrar que quem está no volante é Deus.

E Deus…. Ele não precisa de Waze. Jesus Cristo não erra o caminho, não perde o sinal, não se confunde na entrada. Na verdade, Ele é o caminho. O caminho, a verdade e a vida.

Quando Ele conduz, a estrada pode ser longa, mas não é em vão. Pode ser dura, mas não é sem propósito. Pode ser escura, mas nunca sem direção.

Você pode não ter um GPS. Mas tem o Guia. E com Ele, até o que parecia atraso se revela livramento. Até o que parecia fim… vira recomeço.

Essa é a jornada da fé. Não é sobre ter controle. É sobre ter confiança. Então, siga. Mesmo sem ver o destino final, confie em Deus porque no fim de tudo terá valido à pena confiar.

Um Mundo mais Intolerante

Qual a tolerância devemos ter com aquilo que já pensamos e acreditamos? Nenhuma. E é justamente isso que tem definido a noção atual de “tolerância”: aceitação incondicional do que já concordamos — e cancelamento de tudo o que contraria nossa visão de mundo.

Vivemos um tempo paradoxal. Nunca se falou tanto em diversidade, mas nunca houve tão pouco espaço para ideias divergentes. Cada indivíduo se tornou o senhor absoluto da própria razão, como se o universo inteiro orbitasse em torno das suas certezas pessoais. Anthony Lewis, em Liberdade para as ideias que odiamos, revela que até mesmo os Estados Unidos — símbolo mundial da liberdade de expressão — enfrentam hoje uma luta pela liberdade ao pensamento contrário.

Voltaire, conhecido pelo ideal iluminista da liberdade intelectual, e que será lembrado por afirmar que: “Posso não concordar com o que dizes, mas defenderei até a morte o direito de o dizeres”. No entanto, sua própria pátria, a França, figura entre os países com mecanismos mais severos de repressão à fala dissidente. Um sintoma claro da hipocrisia moderna: prega-se tolerância, mas apenas enquanto ninguém ousar discordar.

O Brasil, por sua vez, tem assistido à erosão da liberdade de expressão em ritmo acelerado. Quem questiona as ideias dos donos do poder, quem desafia a narrativa dominante, paga o preço da perseguição e do silenciamento. Tudo indica que a verdade está sendo empurrada para as margens — como se já não houvesse mais espaço para ela no debate público.

No entanto, para o cristianismo, a verdade jamais foi apenas uma opinião. Não é uma construção social, tampouco algo sujeito a revisões políticas. A verdade é uma pessoa. E tem nome: Jesus Cristo. É por isso que Ele declarou com tanta clareza: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (João 14:6). Encontrar a verdade, portanto, não é apenas aderir a um discurso — é encontrar-se com Cristo e submeter-se à sua Palavra.

É por isso que quem prega essa verdade inevitavelmente entrará em confronto com o sistema. Se isso não ocorreu é porque não estamos tão empenhados com a verdade. A verdade cristã é ofensiva para um mundo que relativizou tudo. Mas o cristão não pode abrir mão dela. Porque, por mais que o mundo tente calar, “a verdade vos libertará” (João 8:32).

E se defender a verdade nos tornar alvos da intolerância — “maior é aquele que está em nós do que aquele que está no mundo”.

Por Alexsandro Leopoldo

Jesus não dava esmolas

A cena se repete nos evangelhos: um cego à beira do caminho, um paralítico estendido junto ao tanque, um homem coberto de trapos clamando por socorro. Em todos esses episódios, Jesus se aproxima, toca, cura — e transforma. Mas o que de fato estava em jogo quando Ele tirava alguém da mendicância? Seria Jesus contra o ato de pedir esmolas?

A resposta exige mais do que um “sim” ou “não”. Jesus não repreendia os que estendiam a mão por necessidade — Ele repreendia o mundo que os fazia estender a mão.

Basta lembrar de Bartimeu, o cego de Jericó. Ele estava sentado à beira do caminho, fazendo o que muitos em sua situação faziam: pedia esmolas. Era a única forma de sobreviver num sistema que o tinha descartado. Quando ouviu dizer que Jesus estava passando, Bartimeu não pediu moedas — ele gritou por misericórdia: “Jesus, Filho de Davi, tem compaixão de mim!”

Enquanto a multidão mandava que se calasse, Jesus parou. Sim, Ele parou. Porque para Jesus, um grito de socorro nunca é ruído — é chamado. E ao se aproximar, Jesus não colocou uma moeda na mão do cego. Colocou luz em seus olhos. Perguntou: “Que queres que Eu te faça?” — e Bartimeu respondeu: “Que eu torne a ver.”

Jesus o curou. Mas fez mais que isso: deu-lhe a chance de voltar a caminhar, de viver sem depender da compaixão alheia, de ser mais do que um pedinte à margem da estrada. Jesus devolveu-lhe não apenas a visão, mas a dignidade.

Esse é o ponto. Jesus nunca foi contra o pobre — mas sempre foi contra a pobreza imposta. Ele não era contra a esmola como gesto de compaixão — era contra a sociedade que empurra pessoas para viver de migalhas. Seus milagres não eram apenas curas: eram sinais do Reino de Deus, onde ninguém é deixado para trás.

Dar esmola pode aliviar. Mas levantar alguém do chão é libertar. E entre aliviar e libertar, Jesus escolheu o segundo. Porque a Sua missão não era apenas curar o corpo, mas restaurar o ser humano por inteiro: corpo, alma, e dignidade.

Bartimeu seguiu Jesus pelo caminho. Não mais como pedinte, mas como alguém que teve a sua vida transformada. E esse é o verdadeiro milagre: transformar uma vida sem esperança, dando sentido à existência.

Se quisermos seguir os passos de Cristo, precisamos dar mais do que moedas — precisamos parar, ouvir, tocar e levantar. Porque o que cura não é a esmola. É o encontro com Jesus.

Quando Deus não está lá

Destaque

A cada dia, infelizmente, aumenta o número de pessoas para as quais Deus deixou de existir. Para essas, Ele não está mais lá. Embora os ateus, em sua grande maioria, sejam ex-crentes, que se tornaram descrentes, começa agora a surgir uma geração que nunca rendeu qualquer devoção a Deus.

Não podemos ser ingênuos, existe um propósito todo orquestrado para estabelecer um futuro sem religião. Assim, o caminho do secularismo hoje está pavimentado e com várias vias. A incoerência é que todos possuem fé, ainda que neguem. Outros dizem possuir, mas agem como se Deus não existisse.

O paradoxo é que todos os homens, sem exceção alguma, exercem fé. Porém, não necessariamente em um ser divino. Então, o homem passa a confiar na sua força, no seu conhecimento, no seu dinheiro. Exercemos fé até mesmo para as coisas mais pequenas. Todos os dias quando saímos de nossa cama, acreditamos que as coisas darão certo. Em condições normais, ninguém sai de casa pensando que será demitido ou que baterá o carro.

Até os mais fortes, que se consideram acima dos demais, acabam por temer. Muhammad Ali, o maior campeão de box de todos os tempos, dizia ser difícil ser modesto, quando se é tão bom quanto ele. Contudo, no início de sua carreira, quase não foi disputar as olimpíadas da Grécia, tamanho era o seu medo de viajar de avião. Reza a lenda que a viagem apenas foi possível porque ele fez todo o percurso com um paraquedas em suas costas.

Todos nós, quando ingressamos em um avião, acreditamos que o piloto está descansado, que está bem de saúde e que domina com bastante habilidade todos os recursos da aeronave. Também esperamos, com sinceridade, que ela tenha passado por todas as revisões. Ainda acreditamos, com muita devoção, que não sobrevirá nenhuma tempestade na rota de nosso voo.

Porém, o descrente não poderá mais contar com a divindade, pois para ele Deus já não existe. Esse jogo é de tudo ou nada, ou Deus existe e pode fazer algo pela minha existência, dar vida eterna e tudo mais, ou não existe e a morte eterna aguarda a todos.  

Mas, é preciso convir que a coerência do estilo de vida do ateu, está em não gastar tempo de sua vida preocupado em agradar a um Ser Superior. Por que ele faria isso se Deus não existe? Isso é mais coerente do que religiosos que dizem acreditar em Deus, mas vivem de maneira incompatível com o que acreditam. Eles pregam sobre Cristo, que escolheu ser simples, mas desperdiçam suas vidas correndo atrás de riquezas.

Por causa do mal exemplo de alguns, muitos não conseguem estabelecer uma fé em Deus. Há algum tempo, visitei um amigo que viveu momentos muito difíceis em razão de uma grave doença. Ele disse-me que ficava consternado com minhas orações. No entanto, confessou que não conseguia desenvolver qualquer tipo de fé em Deus, o que, segundo ele, até mesmo, aumentava ainda mais a sua dor.

O descrente tomou a difícil decisão de andar sozinho, e Deus o respeita por isso. No entanto, a verdade é que, a qualquer momento de sua caminhada, bastará estender a sua mão, pois Deus já estará com a mão estendida para recebê-lo. Por outro lado, aqueles que já conseguem ver os benefícios de uma vida com Deus, precisam viver de maneira coerente. É que para esses, Jesus Cristo disse: vós sois a luz do mundo! https://www.bibliaonline.com.br/acf/mt/5/13-16