Um grupo de amigos de uma igreja que frequentei decidiu fazer uma excursão para os Estados Unidos. Então, é claro que o grupo em Miami foi visitar um grande Shopping Center. Foi quando um senhor já sexagenário teve a ideia de fazer uma “brincadeira”. Então ele dividiu seu plano com mais alguns que prontamente toparam. Assim, ele chegou para o segurança de um grande magazine daquele shopping e disse: “- Você está vendo aquela senhora ali, olha só, ela é cleptomaníaca, mas não se preocupe, tudo o que ela furtar nós pagaremos ao final”. O resultado foi que, instantaneamente, todos os seguranças ficaram tão em cima dela que sequer conseguiu fazer suas compras e, ao perceber que estava sendo vigiada com um excessivo rigor, saiu da loja. Então ela se dirigiu aos seus “amigos” e disse: “ – Vocês viram o que aconteceu nesta loja, só pode ser porque sou brasileira”. Claro que todos caíram em gargalhadas, acabando por contar que ela havia caído em uma grande pegadinha.
Muitas vezes nós somos exatamente como aquele segurança, alguém nos contou algo sobre outra pessoa e nós instantaneamente acreditamos e passamos a rotular a outra pessoa. Nada, absolutamente nada, nos fará mudar de opinião. Estabelecemos o muro do preconceito e da indiferença, apenas com base naquilo que ouvimos falar.
Normalmente a pessoa nunca fez nada para nós, mas preferimos acreditar que tudo o que ouvimos falar é verdade. Isso funciona como um sistema de precaução, e pode funcionar bem, desde que não sejamos exatamente nós que sejamos a pessoa injustiçada. Não importa o quanto uma pessoa possa ter contribuído para uma causa, o quanto ela seja fiel, basta que alguém levante alguma dúvida e pronto, aquele individuo passará a ser alguém a ser evitado e, até mesmo, repelido.
Caso alguém lhe diga que uma pessoa é cleptomaníaca, a questão é: quanto tempo durará essa desconfiança? Se essa pessoa vier a tornar-se seu amigo, você não pode deixá-la em um eterno estágio probatório. Em algum momento você terá de aceitar aquela pessoa.
Outra coisa, provavelmente, aqueles que você pensa que são seus amigos, serão aqueles que irão te deixar empenhado nas situações mais difíceis. Amizade é uma dádiva, Jesus adorava estar em grupo e prezava por seus amigos. Enquanto esteve por aqui, ele era aquele tipo de pessoa que não perdia uma festa. Mas ele pagou o preço da convivência em grupo, pois quando mais precisou, o abandonaram, e, inclusive, um dos mais próximos foi quem o traiu.
Às vezes criamos super expectativas que nem mesmo nós correspondemos, mas o que se espera de um verdadeiro amigo é que não evidencie nossas fraquezas. Na vida de cada um de nós a queda em algum momento será inevitável, mas a verdadeira amizade consiste em ajudar a levantar.
Só que a saída não é isolar-se e viver sozinho. A solidão não combina com o ser humano, fomos criados para vivermos juntos e não temos como mudar isso. No entanto, precisamos aprender a viver com mais tolerância. Devemos estabelecer nossa própria experiência, boatos e fofocas podem ser mentirosos e à vítima nunca é dada qualquer defesa.
Sabe a senhora que foi vítima da pegadinha acima, ela encontrou graça na brincadeira – talvez até de mal gosto – à qual foi submetida. Ela própria foi quem contou essa história e não permitiu estragar sua viagem e nem tampouco perder seus amigos.